Wednesday, February 7, 2007

Ode ao whisky selvagem


Reclamo para nós o direito ao whisky selvagem. E reivindicarei (por nós) todos os CATA-DAPA-TUNTUMS consequentes. O whisky selvagem é fotografia sensível. Neste momento de embalo em que o doce vinho vai longe, decantado de desencanto, cantaremos o whisky selvagem com todas as sétimas menores, charleston matreiros de quem virá a ser marinheiro.
Reclamo-o para nós, sim. Porque o whisky selvagem é 16:9, é super16, é TECHNICOLOR, é a lágrima que perdurará pendurada nos nossos corações aveludados de tanta lua escondida naquela manhã de auto-estrada minguante.
A nós o whisky selvagem! Ele tem mais cores do que um amigo colorido, mais faces do que um prisma avantajado, mais flores do que um trompete desabrochado. Planifique-se esta cachoeira de sons líquidos que ecoam no grafismo errático deste lugar, desta terra castanha que se entranha nestas unhas que coçam uma atmosférica PRIMEIRA VEZ, primeira vez, primeiro BOP desassolado de sétimas matreiras, marinheiros desencantados e lacrimejantes graficamente pendurados nas auto-estradas de gargantas que gritam em uníssono: BOP! BOP!
WHISKY SELVAGEM! Para nós essa destilação de Satanás, esse torpor delinquente, que nos apoquente, que nos requente, que nos ESPORRE a cara de veloz PRAZER!!! (E que na próxima rotunda, nos espete a forquilha do fazer crer).

tradutor

Tradutor
Traduzir a couve-flor
Que cresce no teu quintal

Perder a conta às pétalas do malmequer
E arrancar antes as páginas
De um livro sobre o Natal
Que é quando o Charles Dickens quiser

Thursday, February 1, 2007

(...) a rapariga desce as escadas quatro a quatro
vai vender mágoas ao desbarato
vai vender juras falsas, amarguras, ilusões
trapos e cacos e contradições.
É terça-feira e, das cinzas, talvez
amanhã que é quarta-feira haja fogo outra vez
o meu coração é capaz de dizer "tanto faz,"
parto para a guerra com os olhos na paz.

Carpe a carpa que aproveita o dia
Assiste aos sonhos dos outros como a um filme
Sorte macaca que nos rouba a agonia
Única via para o final do amor

Apodreça a fruta que vive à volta dos caroços
Abastardadas criancinhas dos nossos pequenos-almoços
Cai-me do céu, do céu que é uma dor
E olha, escancarada, pessoas belas e vazias que dançam ao frio
Da manhã

Tuesday, January 30, 2007


eu também percorri o deserto. com nome de mulher

Esquece tudo o que te disse, esquece tudo o que te disse, esquece tudo o que te disse.

Thursday, January 18, 2007


por uma mão cheia de pó, percorri todo um deserto.

Sunday, December 17, 2006

Elogio Ao Esquecimento

Recomendo o desmembramento total da memória em partes iguais e bem compartimentadas, gavetas sedadas tratadas a comprimidos e outros mimos químicos para as equimoses dos apanhados em flagrante delírio.
Deliro, delito, admito e retiro o meu corpo do jogo azul descarnado, fio eléctrico cansado da alta tensão a suportar.
Supunha ser fácil, supunha ser ágil a verdade mas a mentira atige sem demora, a mentira atinge rápido.